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Argentinos usam fungicida proibido para estabilizar vinho
23/02/2010 14:09:37 Produtores argentinos podem estar utilizando o fungicida natamicina na vinificação e não apenas para limpeza das adegas, como permite a legislação argentina. Para Marc Dubernet, o diretor do laboratório francês de enologia Dubernet, o uso deste antibiótico tem uma finalidade muito clara “estabilizar o vinho”. “Este fungicida é muito caro para ser utilizado na limpeza da adega. A piramicina ou natamicina é um eficaz estabilizante que vai eliminar uma levedura não desejada a Brettanomyces”.
A presidenta de Wines of Argentina, Suzana Balbo, tenta defender o vinho argentino em suas declarações e em seu comunicado oficial ao dizer que este antibiótico não é usado na vinificação. Afinal, são muitos e importantes produtores que foram identificados usando o fungicida. Ela tem obrigação de defendê-los enquanto presidenta do organismo responsável pela sua promoção e exportação. Dubernet explica que o surgimento desta levedura pode acontecer na fermentação alcoólica, mas acontece geralmente depois do vinho pronto. Esta levedura natural vai dar ao vinho aromas desagradáveis de estrebaria, couro e suor de cavalo. O uso deste antibiótico não é permitido na União Européia e nem recomendado pela OIV. “A OIV não tem poder legal de interditar seu uso, pode apenas recomendar”, orienta o enólogo francês. Também não é permitido seu uso no vinho na Argentina. “Na Europa, para evitar este acidente, fazemos uma boa gestão do uso do sulfito (SO2) e um rigoroso acompanhamento da microbiologia e análise química do vinho para saber se houve contaminação. Se um acidente ocorreu realizamos a “flash pausterização”. Esta vai permitir reduzir a níveis insignificantes a microbiologia do vinho, sem danificá-lo ou alterá-lo”, garante Dubernet. Segundo o Instituto Francês da Vinha e do Vinho a levedura Brettanomyces pode ser encontrada tanto no vinhedo como causada por uma falta de higiene na adega, especialmente em calhas, mangueiras, tonéis e torneiras. Outros agravantes são a grande presença de ácidos fenóis precursores de etil fenóis, presença de açúcar residual depois de uma fermentação complicada, baixo índice de sulfito e envelhecimento em barricas que não foram limpas de forma adequada. Marc Dubernet enfatiza que este conservante é permitido na indústria agro alimentar para alguns queijos e salames, mas não é permitido para o vinho. A paramicina é um antibiótico e “não representa nenhum risco à saúde humana”, reitera.
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